O tempo tem vida própria.
O tempo esse malandro,
Corre muito ou devagar,
Corre muito, corre muito,
Quando eu o quero parar.
Quando sofro e a dor aperta,
Eu quero vê-lo a correr,
Mas nesse momento sofrido,
Ele só me faz sofrer.
Quero chamá-lo à atenção,
Para que ele entenda que me deve ouvir,
Mas como ele é mesmo surdo,
Sofro calado e não tenho como o persuadir.
Tento tocar-lhe no rosto,
Mas nada encontro, tudo é um vazio total,
O tempo é coisa rara, esquisita,
O que é o tempo afinal?!
Tento desvendar-lhe a cara e o cheiro,
Parece que sofro mesmo de anosmia,
O tempo não me cheira a nada,
Será que sofro também de prosopagnosia?!
Quero saborear o tempo,
Ver qual o gosto que ele de facto tem,
Poder sentir realmente o gosto do tempo,
É o melhor que a gente nesta vida tem.
Prof. Eduardo Teixeira
