A linguagem é realmente fenomenal mas é também algo muito complexo.
É óbvio que uma língua, qualquer que seja, tem as suas próprias regras.
Entender as suas regras nem sempre é fácil.
A título de exemplo vou aqui dissertar um pouco sobre a complexidade
dos Pronomes Pessoais e, seguidamente sobre os Pronomes Possessivos da nossa querida Língua Portuguesa.
Por mais singelos e simples que pareçam, pensando bem, às vezes tornam-se complexos.
Senão vejamos:
Eu
Tu
Ele/a
Nós
Vós
Eles/as
No domínio conversacional o "eu" só pode ser um "eu" porque este se pode refletir num "tu" e vice-versa.
O mesmo poderíamos dizer do "nós" refletido pelo "vós" e vice-versa.
Já no que toca a "ele/a" no singular, mas também no plural, a coisa muda de figura.
De facto, o "eu" encarna no "tu" e vice-versa de forma natural; pois cada um dos dois só poderá existir com a existência do outro.
Na verdade, eu só sou porque tu és. Se tu não fosses, também eu não seria.
O que seria de mim se apenas eu existisse no planeta Terra???!!!
Porém, quando dizemos por exemplo:
"Ele é um homem rico" temos de saber primeiro quem é esse "ele", caso contrário ficamos num vazio a nível da compreensão.
Creio, assim, poder garantir que afinal os pronomes "eu e tu / nós e vós" são realmente verdadeiros pronomes, coisa que não poderei garantir quanto ao "ele/a/s" porque necessitam de um referente claro e explícito anterior na conversação.
Então podemos dizer que o "ele/a/s" não possuem essa mesma presença.
Logo, é como se fossem falsos pronomes.
Vejamos outro caso português bem evidente.
O caso dos pronomes possessivos.
Meu teu etc.
minha, tua etc.
meus teus etc.
minhas tuas etc.
Atentemos na seguinte frase:
Este rapaz é meu filho.
Eis uma bonita e simples frase.
Será que esta frase está mesmo correta?!
Se, sim, então andaram a vida toda a enganar-nos; pois sempre nos disseram, tal como a letra da música dos Delfins, "Nasce selvagem" que na vida humana, "Ninguém é de ninguém..."!
De facto, podemos dizer este é o meu carro. Sim, é claro, trata-se de um mero objeto, mas isso é diferente de um ser humano (um filho).
As pessoas, os seres humanos não pertencem a ninguém, apenas pertencem a eles próprios, (embora já tivessem pertencido a quem os vendia e comprava negócio horrendo levado a cabo pelos negreiros esclavagistas).
Todo o ser humano nasce livre diz a nossa Constituição. E isso deve ser Sagrado.
Assim, os tão badalados Pronomes Possessivos, em relação aos seres humanos estão errados.
Realmente a linguagem dá que pensar!|
Não acham?
Prof. Eduardo Teixeira