De manhã cedinho,
no pátio do prédio onde vive a senhora "marquesa",
cuscando com uma sua vizinha diz:
"O meu gatinho passa a vida a subir para cima,
a descer para baixo de um armário e de uma mesa".
Responde a vizinha de modo muito assertivo:
"É normal, os gatinhos são brincalhões e muito ativos,
é assim a sua natureza".
O pleonasmo é uma figura de sintaxe
que não raro convém de empregar como reforço
para se conseguir vigor, expressividade mais intensa,
maior clareza e para impressionar mais fortemente os recetores.
Por tudo isso, é que nós vamos ouvindo sair amiúde da boca mesmo de grandes doutores o pleonasmo.
A vizinha, que não a dita "marquesa", por fim acrescentou:
"Eu também tenho um gatinho e, de vez em quando,
também ele sobe por umas escadas acima frequentemente".
"Sobe por ali acima com uma velocidade que só visto,
sobretudo para se livrar da dentuça do cão,
quando este o quer morder,
mas até é muito engraçado de ver".
Cuidado leitores!
O uso de pleonasmos não é coisa nova,
nem um qualquer tique chique e snobe de linguagem.
Por isso cuidado, nada de confusões!
Muito boa gentinha anda por esse país fora
a utilizá-los de forma muito frequente.
Como sabemos também foi utilizado pelo nosso grande Camões:
"Vi claramente visto, o lume vivo..."
A linguagem fornece-nos termos
muitos próximos uns dos outros, tais como:
pleonasmos, repetições, redundâncias e tautologias,
coisas como:
"Eu digo-te isto só a ti...",
"Ó mar salgado..."
"Eu vi, juro, vi com os meus próprios olhos..."
"Passar para a frente..."
é claro, já que "passar para trás" é uma expressão idiomática
que significa:
"Enganar, vencer, ultrapassar, burlar alguém , etc."
"Começar do começo..." etc.
Tudo coisas da linguagem que por aí circulam aos molhos.
E, assim vai a vida e a linguagem do nosso quotidiano.
Prof. Eduardo Teixeira