Este país é claustrofóbico
e, por conseguinte, é gerador de claustrofobia.
Depois de ter passado grande parte da minha vida
a viajar por vários países da Europa, depois de ter vivido vários anos
em França no meu tempo de estudante universitário,
depois de ter emigrado para o Brasil - Rio de Janeiro,
acabei por regressar a Portugal.
Não foi a (Nost-algia) que me fez regressar,
foi um momento de alguma hesitação em ficar por lá,
apesar de tudo me correr bem na vida.
Lá diz o ditado:
"O bom filho a casa torna"
No meu caso, mais seria:
"o parvu(m) filho à Mediocracia torna!"
Sim. Eu sabia onde me voltava a meter!
E ninguém me obrigou. Foi por vontade própria.
Enfim...!
Convivi com gentes diferentes,
mentalidades e modos de vida distintos
destes, que aqui, neste "reino" sempre vivenciei e, que
por lá me permitiram Respirar e até mesmo Sonhar.
Aqui, neste país de impasses,
de estagnações e de mentes pequeninas,
em que tudo é pequenino, em que tudo tem de ser pequenino,
para não cairmos em exageros e em megalomanias,
ser pequenino é que é realmente bom.
Por isso mesmo,
também eu, me tornei, por desgraça, em alguém muito pequenino,
sobretudo, na carteira.
"O dinheiro não é tudo".
É claro, que as grandezas nesta país,
só são realmente importantes
para os ogres, nababos
e para todos aqueles "recalcados" e "frustrados"
e todos aqueles que têm uma enorme necessidade psicológica,
de mostrar aos outros que são imponentes,
que têm tudo e mais alguma coisa, que são superiores a tudo o resto.
Os pequenos burgueses nesta terra,
para mim, são uma estirpe abjeta.
Neste país pequenino
existe alguma mania, da faladura, da Meritocracia,
porém, tudo isso não passa de paleio furado.
Mas afinal, neste Portugalório,
quem obtém, numa determinada empresa,
o lugar, que corresponda de facto, ao seu real mérito!?
Tudo depende do fator C.
Sim,
é este maldito fator C, que em Portugal tudo domina.
Não importa se és bem formado, se és muitíssimo competente
numa determinada área de saber,
se o lugar vago, seja em que instituição for,
deveria ser teu, tendo em vista as tuas capacidades efetivas.
O que importa
é que tenhas no teu bolso o fantástico, o maravilhoso,
o milagroso fator C.
Com ele, com ela (CUNHA) ou (CUNHÓMETRO),
tudo poderás obter neste paraíso de corrupção.
Alguém dizia que:
"No país onde reina a mediocridade, fala-se o medíocre."
Fala-se o medíocre,
uma língua pastosa, um melaço grosseiro e mal-educado,
porque o nível cultural é de tal forma rico, fino, refinado, distinto e polido
que faz, de uma boa parte dos falantes, uns pategos grosseiros!
Mas cuidado!
Se por acaso, alguém se exprimir no seu quotidiano,
de forma muito cuidada,
usando uma linguagem acima da língua dita padrão,
será alvo de chacota, troça e zumbaria!
Mas cuidado!
Pois, se por acaso um Transmontano se puser a dizer em voz alta
que já tomou a v(á)cina da gripe,
também será imediatamente atacado pelo supra-sumo do bem falar
alfacinha!
Neste retângulo haverá sempre alguém que espreita,
sempre alguém pronto a criticar-te e a tentar montar-te, se o deixares.
Ok.
É certo que o medíocre vegeta em todos os cantos do mundo
e não apenas em Portugal.
O medíocre tem passaporte universal.
Mas caramba!
Neste pequeno e claustrofóbico reino, tudo é pequenino.
Será talvez por isso,
que até gramaticalmente usamos sem a menor hesitação,
o famoso e abundante Diminutivo "- ito, - ita, - inho, - inha",
cujo valor expressa a ideia de pequenez ou
valores afetivos.
Alguns meros exemplos:
Casinha, casita, amiguinho, amiguito, carrinho, carrito, rapazinho, cafezinho,
pouquinho, festinha, fofinho,
bichinho, malinha, salinha, amiguinho, trabalhinho, etc. etc. etc.
Neste Portugalete,
as únicas Entidades, realmente grandes são:
o senhor Imperador Verborreu
e obviamente a senhora Mediocridade!!!
Valha-nos Deus!
Pelo menos ainda temos algo que se veja!
Este país não passa de um país
reles, asfixiante, deprimente, e claustrofóbico,
porque sempre foi dominado por fulanos pequeninos,
de mentes restritas,
reles, ignorantes, pedantes, e prepotentes,
salvo raríssimas exceções,
que o desgovernaram,
desgovernam e, infelizmente, vão continuar a desgovernar!
Prof. Eduardo Teixeira