Inesperadamente,
surge na avenida da cidade,
imponente,
com seu ar altivo,
nariz empinado,
roliça, esbelta, caminha,
na floresta matinal, fingindo nada ver,
mas com um olhar sorrateiro
e atento a tudo o que a rodeia.
Ela sabe que há olhares
inesperados em seu redor,
surpreendidos, cujas pupilas se vão dilatando
à medida que ela se vai aproximando.
Olhos esbugalhados,
queixos caídos e bocas babadas,
perante o aparecimento dessa figura angelical,
que os deixa em estado de euforia.
As líbidos masculinas,
de repente, ficam estado de êxtase,
hipnóticas
e, o sangue, começa a fluir nas veias
como um rio montanhoso,
despenhando, despejando, as suas águas agitadas,
tumultuosas, pelos desfiladeiros íngremes
até à planície calma e serena que as irá acolher.
Sente-se a feromona no ar!
De repente, ecoa no ar, um bramido estridente!
É um jovem macho,
que, ao deparar-se na floresta citadina,
com essa bela fêmea,
meio angélica, meio diabólica,
não se contendo,
levanta a cabeça, narinas abertas,
- qual cavalo irado a relinchar -,
berra, como para dizer a essa linda corça
que ele, já está de olho nela e que desperta nele
uma forte atração.
Provocar mesmo,
só ela é capaz;
pois, caminha, fazendo deambular as nádegas
bestiais, volumosas e arredondadas,
de um lado para o outro,
como que a chamar os machos para junto dela.
Sente-se agora, também no ar a forte testosterona
que exala dos machos inebriados.
Porém, aos poucos,
a vigorosa e incitadora imagem de tão belo e selvagem animal,
vai-se desvanecendo, à medida que,
serena, caminha poe entre a floresta matinal.
Tudo que, se ergueu do chão
com a sua passagem,
começa agora, a retomar a sua posição normal,
inicial, flácida,
que tinha antes de tão deslumbrante surgimento.
Agora, os jovens corços, começam, também eles,
a retomar o ritmo da sua própria pastagem,
o ritmo que tinham
antes desse exuberante animal ter surgido,
nessa manhã surpreendente e inesperada.
O sangue nas veias dos machos,
volta ao seu percurso natural,
fazendo bombear o coração de forma regular.
O próprio bater do coração dos bichos,
retoma a sua regularidade quotidiana.
Como se sabe, nada, na vida,
é apenas, êxtase e prazer permanente, constante.
Momentos há, em que, o retomar do ritmo normal
é efetivamente necessário,
para que a vida se desenrole com algum equilíbrio.
Contudo, por vezes,
esse ritmo, esse equilíbrio,
altera-se,
fazendo os termómetros subir até chegarem a picos extremos,
mas é tão bom, tão maravilhoso,
sentirmo-nos vivos!
Prof. Eduardo Teixeira