Num banco incógnito de jardim,
num momento incerto,
de aparente vazio de pensamento,
num inesperado momento,
um velho homem,
meteu a mão ao velho bolso,
do casaco e tirou um lápis
já quase gasto.
Num velho pedaço de papel,
o poeta escreveu:
"não me sinto-me só"
e, seguidamente, deitou o papel ao chão.
O homem encontrava-se
realmente sozinho,
porque, no dizer de alguém,
que por ali costumava passar,
só esse velho homem, naquele lugar,
costumava
Aliás, segundo parece,
àquela hora tardia da noite,
naquela praça acinzentada,
apenas costumava pernoitar
aquele velho homem.
O velho homem tinha razão
ao escrever naquele pedaço de papel
que "não estava só".
Verdade seja dita:
Um homem nunca está só,
sobretudo, quando está acompanhado
da sua própria solidão.
Prof. Eduardo Teixeira