Ao romper da aurora,
surge a orvalhada matinal,
nas pétalas das rosas.
Pétalas alvas, puras,
frias e gélidas,
que ao longo do dia se vão transformando,
em gotas de água caídas em terra madura.
Pudesse Eros beber
em pétalas tão meigas e orvalhadas!
Saciar sua sede incessante,
no seio das Ninfas, por ele tão desejadas!
É nesse humedecer,
nessa doce orvalheira matinal
que a líbido mais se desperta
e que a dopamina enche o ser de um bem-estar natural!
Pétalas cheias de orvalhada,
que festim, que frenesim, para quem nelas adora beber.
Já que a vida é efémera,
delicia-te tu ó Eros,
- porque sei que podes -
uma vez que eu, pobre faminto e sedento,
só na imaginação, só de modo platónico,
delas me posso valer!
Feliz daquele que, ao romper do dia,
com o primeiro canto das aves,
ao romper da alvorada,
tal como nas canções de amigo, na poesia provençal,
bebe em tais pétalas douradas,
esse néctar, melífico, com um suave gosto de sal!
Prof. Eduardo Teixeira