Psicolinguística

QUANTA FARTANÇA!

QUANTA FARTANÇA

Quanta choraminguice!

Quanta lágrima!

Quanta dor!

Quantos ais!

Quanta pedinchice! 

Quanta fartança!

Neste reino, embora pobre,

nunca se viveu com tamanha fartura,

para mim, isto, é a verdade pura.

Vivemos atualmente, como verdadeiros reis,

repletos de tudo,

basta sentarmo-nos um pedaço de tempo

numa qualquer esplanada de um bar

desta provinciana (Bragança) cidade,

e, deparamo-nos com uma enorme fartança,

com uma imensa vaidade.

Ai se pudéssemos entrar na maioria das casas

desta gentinha?!

Aí veríamos, tudo e mais alguma coisa,

toda e qualquer dispensa bem recheadinha! 

Vive-se, nos dias de hoje,

com tudo o que há de bom e do melhor,

mas esta gente, mentalmente pobre,

continua a queixar-se como no tempo

em que morria de fome!

Os bares, nos supermercados, nos restaurantes,

os comércios de luxo, deste país, estão repletos de gente,

cujo poder de compra é elevado, um encanto, 

mas os ais e lamentos, as choraminguices,

são tantas, que eu fico perplexo, morro de espanto! 

Este país cada vez tem mais ogres,

barrigudas e barrigudas "Rabelesianas".

Ó Gargantua e Pantagruel!

Obras primas que propõem o entretenimento aos leitores

dos cultos através da folia e do exagero da época!

Portugal, por mais estranho que pareça,

sendo um país sempre de mãozinha estendida 

em direção de Bruxelas, triste e perpétua mendicidade,

vive nesta época à fartança,

vive momentos felizes de banha, de gordura, da papança à saciedade!

Mundo de obesos, papões, comilões, ogres de verdade.

- Trabalhar é coisa que poucos gostam de ouvir falar -

homens e mulheres anda tudo imensamente barrigudo,

todos parecem estar prenhos,

tudo ventrudo, tudo mamalhudo, tudo repolhudo!

Neste retângulo, anda tudo com a síndrome de Prader-Willi,

uma condição genética, rara caraterizada por hiperfagia

(fome insaciável),

perda de uma parte do cromossoma 15 de origem paterna,

não é a fome que mata, mas sim, um comer incontrolável!

Já do ponto de vista cultural, e do desenvolvimento mental e civilizacional,

é, tristemente, todo o contrário.

Assistimos cada vez mais a um embrutecimento, quase generalizado,

onde a burrice e a malcriadice, são aquilo que mais se destaca no nosso quotidiano,

algo está certamente muitíssimo errado!

O português atingiu, finalmente, a era da Fartança!

Mesmo assim, continua a pedir, a mendigar e a choramingar.

Farto no odre, mas pobre, como sempre, civilizacionalmente, vivendo na lambança!

Dá que pensar!!!

Prof. Eduardo Teixeira

   

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